
Presidente do Senado teria contas pessoais pagas por uma empreiteira
BrasíliaAgência Estado
O presidente do Senado e chefe do Poder Legislativo, Renan Calheiros (PMDB-AL), corre o risco de ser processado pelo Conselho de Ética e ainda pode acabar convocado a depor na CPI da Navalha que os senadores planejam criar na semana que vem, depois da denúncia publicada pela revista 'Veja' mostrando que a empreiteira Mendes Júnior custeava despesas pessoais do presidente do Congresso, no valor de pelo menos R$ 16,5 mil.
A denúncia acrescenta tensão na base política do governo, em meio às investigações da Operação Navalha. Renan nega as acusações.
Segundo a revista, Cláudio Gontijo, lobista da empreiteira, pagava até recentemente o aluguel de um apartamento em Brasília e a pensão de uma menina de 3 anos que seria filha de Renan com uma jornalista de Brasília. O valor dessas despesas chegaria a R$ 16.500 mensais. Além disso, a construtora manteria permanentemente à disposição do senador um flat em dos hotéis mais luxuosos da cidade, e teria ajudado financeiramente familiares seus e campanhas eleitorais.
A denúncia contra Renan pode ser avaliada como um desdobramento das investigações da Polícia Federal que resultaram na Operação Navalha. Segundo fontes do PMDB, o presidente do Senado já desconfiava que estivesse sendo espionado. Essas fontes dizem que a suspeita é que a fonte da denúncia é a PF.
Caso as denúncias da matéria assinada pelo jornalista Policarpo Júnior forem comprovadas, poderá levar o senador a perder o cargo e até mesmo o mandato. Por menos que isso, o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) renunciou à presidência do Senado e ao mandato quando foi acusado de ter violado o painel de votações eletrônicas sigilosas do Senado.
RISCO
O escândalo envolvendo Renan representa um risco potencial à base política do governo. Para o cientista político Rogério Schmitt, da consultoria Tendências, a crise acende um 'alerta amarelo' no cenário político por ser 'a mais grave do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva'.
Schmitt não descarta que Renan sofra algum processo de afastamento do cargo, o que poderia ocorrer também por uma decisão voluntária, em razão do escândalo envolvendo seu nome. No entanto, ele acredita que a resistência política de Calheiros deva ser elevada, pois é um dos principais líderes do PMDB, um partido grande e que deve apóia-lo.
'Agora, se torna praticamente impossível que não seja criada uma CPI mista no Congresso destinada a investigar o caso envolvendo a empreiteira Gautama', comentou o cientista político. 'O caso é sério, pois envolve o presidente do Senado, a autoridade que está no quarto lugar na linha de sucessão do presidente da República.'
O PMDB é o maior partido do Senado e o pêndulo da balança nas decisões da Casa. O conflito político aberto pela escalada de denúncias desencadeada pela Operação Navalha quase certamente levará o PMDB a reagir em defesa dos seus principais líderes, Renan e o senador José Sarney (PMDB-AP).
O envolvimento com a Mendes Júnior
O lobista da Mendes Júnior coloca à disposição do senador um flat num dos melhores hotéis de Brasília, o Blue Tree. O flat, número 2018, é usado para compromissos que exijam discrição. Está em nome de Cláudio Gontijo.
A empresa pagou, até março passado, o aluguel de um apartamento em Brasília para o senador. O imóvel tem quatro quartos e fica em uma área nobre da capital federal. O aluguel saía por 4.500 reais.
Cláudio Gontijo pagava 12 mil reais mensais de pensão para uma filha do senador, de 3 anos de idade. A pensão foi bancada por Cláudio Gontijo de janeiro de 2004 a dezembro do ano passado.
A Mendes Júnior ajuda nas campanhas do senador Renan Calheiros e nas de sua família. Já ajudou o próprio senador, seu filho e seu irmão.
A denúncia acrescenta tensão na base política do governo, em meio às investigações da Operação Navalha. Renan nega as acusações.
Segundo a revista, Cláudio Gontijo, lobista da empreiteira, pagava até recentemente o aluguel de um apartamento em Brasília e a pensão de uma menina de 3 anos que seria filha de Renan com uma jornalista de Brasília. O valor dessas despesas chegaria a R$ 16.500 mensais. Além disso, a construtora manteria permanentemente à disposição do senador um flat em dos hotéis mais luxuosos da cidade, e teria ajudado financeiramente familiares seus e campanhas eleitorais.
A denúncia contra Renan pode ser avaliada como um desdobramento das investigações da Polícia Federal que resultaram na Operação Navalha. Segundo fontes do PMDB, o presidente do Senado já desconfiava que estivesse sendo espionado. Essas fontes dizem que a suspeita é que a fonte da denúncia é a PF.
Caso as denúncias da matéria assinada pelo jornalista Policarpo Júnior forem comprovadas, poderá levar o senador a perder o cargo e até mesmo o mandato. Por menos que isso, o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) renunciou à presidência do Senado e ao mandato quando foi acusado de ter violado o painel de votações eletrônicas sigilosas do Senado.
RISCO
O escândalo envolvendo Renan representa um risco potencial à base política do governo. Para o cientista político Rogério Schmitt, da consultoria Tendências, a crise acende um 'alerta amarelo' no cenário político por ser 'a mais grave do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva'.
Schmitt não descarta que Renan sofra algum processo de afastamento do cargo, o que poderia ocorrer também por uma decisão voluntária, em razão do escândalo envolvendo seu nome. No entanto, ele acredita que a resistência política de Calheiros deva ser elevada, pois é um dos principais líderes do PMDB, um partido grande e que deve apóia-lo.
'Agora, se torna praticamente impossível que não seja criada uma CPI mista no Congresso destinada a investigar o caso envolvendo a empreiteira Gautama', comentou o cientista político. 'O caso é sério, pois envolve o presidente do Senado, a autoridade que está no quarto lugar na linha de sucessão do presidente da República.'
O PMDB é o maior partido do Senado e o pêndulo da balança nas decisões da Casa. O conflito político aberto pela escalada de denúncias desencadeada pela Operação Navalha quase certamente levará o PMDB a reagir em defesa dos seus principais líderes, Renan e o senador José Sarney (PMDB-AP).
O envolvimento com a Mendes Júnior
O lobista da Mendes Júnior coloca à disposição do senador um flat num dos melhores hotéis de Brasília, o Blue Tree. O flat, número 2018, é usado para compromissos que exijam discrição. Está em nome de Cláudio Gontijo.
A empresa pagou, até março passado, o aluguel de um apartamento em Brasília para o senador. O imóvel tem quatro quartos e fica em uma área nobre da capital federal. O aluguel saía por 4.500 reais.
Cláudio Gontijo pagava 12 mil reais mensais de pensão para uma filha do senador, de 3 anos de idade. A pensão foi bancada por Cláudio Gontijo de janeiro de 2004 a dezembro do ano passado.
A Mendes Júnior ajuda nas campanhas do senador Renan Calheiros e nas de sua família. Já ajudou o próprio senador, seu filho e seu irmão.