
Chávez faz ameaça a outro canal de oposição
Presidente acusa a TV Globovision de complô e promete 'acalmá-la' à força
O presidente Hugo Chávez defendeu ontem sua decisão de não renovar a concessão da popular estação de tevê RCTV, alinhada com a oposição, e advertiu que pode agir contra outra tevê crítica da sua administração por supostamente incitar uma tentativa de assassinato contra ele. Na segunda-feira, o ministro da Informação, Willian Lara, já havia acusado a Globovision de encorajar violência contra Chávez ao divulgar imagens da tentativa de assassinato contra o papa João Paulo II na Praça São Pedro em 1981 tendo como música de fundo um refrão de uma salsa que diz 'Tenha fé, isso não acaba aqui'. O diretor da Globovision, Alberto Federico Ravell, disse que a acusação é 'ridícula'.
Mas Chávez advertiu ontem a Globovision a parar de 'convocar à desobediência e de incitar assassinato. Vou avisá-los perante a nação. Recomendo que tomem um tranqüilizante, se acalmem, caso contrário, eu vou acalmá-los'. Chávez também disse que sua recusa em renovar a licença da RCTV foi 'uma decisão soberana, legítima, que não cabe discussão'.
PROTESTOS
Milhares de venezuelanos - tanto partidários de Chávez como opositores - promoveram ontem manifestações em separado nas ruas de Caracas. Os opositores de Chávez gritavam 'liberdade!' enquanto seus partidários afirmavam que estavam nas ruas para rechaçar tentativas da oposição de provocar distúrbios.
Grupos de estudantes fecharam durante o dia uma avenida central de Caracas para protestar, depois de distúrbios registrados durante a noite na zona leste da capital da Venezuela. Os jovens paravam os carros que passavam pela avenida Prados do Leste em direção ao centro para gritar frases a favor da liberdade de expressão. As entradas das principais universidades de Caracas eram protegidas por viaturas policiais.
CHILE
Em Helsinque a presidente do Chile, Michelle Bachelet, falando sobre o fim da concessão à rede de televisão venezuelana privada RCTV, disse que no seu país 'a liberdade de expressão é a regra de ouro'. Em declarações à imprensa após um encontro com a colega finlandesa Tarja Halonen, Bachelet lembrou a ditadura do general Augusto Pinochet no Chile (1973-1990), afirmando que 'para o Chile a liberdade de expressão é a regra de ouro, dada nossa história política'.