sábado, 20 de outubro de 2007

Renan prepara tática para voltar ao Congresso


O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) começou na quinta-feira a preparar uma estratégia para seu retorno à Casa, previsto para a próxima terça. Em duas reuniões com aliados importantes do PMDB, o presidente licenciado da Casa tratou de dois objetivos principais: a tentativa de enterrar os processos contra ele no Conselho de Ética e a intenção de fazer seu sucessor na presidência do Senado caso não consiga retomar o posto.
As reuniões foram com o senador José Sarney (PMDB-AP) e com o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR). De acordo com reportagem publicada nesta sexta pelo jornal Folha de S. Paulo, Renan ainda pensa em retomar a presidência da Casa -- mas só se fracassar a articulação para preservar seu mandato. Nesse caso, deverá reassumir a presidência depois da votação da prorrogação da CPMF e partir para o confronto com a oposição.
A estratégia de Renan, porém, se baseia nas negociações para enterrar os processos no Conselho e colocar um aliado na presidência. Seria o cenário mais positivo para o político neste momento. Com Jucá, Renan discutiu como arquivar pelo menos parte das ações que correm contra ele. Os processos que avançarem no Conselho de Ética podem ser votados em bloco no plenário, num mesmo dia -- pelo menos é o que deseja Renan.
Conforme a Folha, aliados de Renan acreditam que só um processo já em andamento chegará ao plenário com parecer pela cassação -- o que se refere à compra de rádios com uso de laranjas. Há quatro processos contra Renan e outro pode ser aberto em breve -- o PSOL protocolou a ação na quinta. Renan estuda renunciar à presidência da Casa na véspera da próxima votação de cassação de mandato. Com isso, espera acalmar a oposição e escapar.
Prioridade - Renan continua ocupando a residência oficial de presidente do Senado -- acredita que, se deixasse a casa, sinalizaria que desistiu de vez do cargo. Sobre sua sucessão, o senador discutiu com Sarney na quinta a possibilidade de emplacar o nome de José Maranhão (PMDB-PB), aliado de ambos. A indicação deve ser levada aos peemedebistas a partir desta sexta. Maranhão é considerado um nome de confiança do governo.
Renan e Sarney tentam negociar a sucessão sem provocar abalos entre a bancada aliada -- a intenção é não atrapalhar a votação da CPMF na Casa, prioridade do governo no momento. O retorno de Renan à presidência do Senado está marcado para 26 de novembro. Nesse dia termina a licença de 45 dias iniciada na semana passada. Com o senador no comando da Casa, o governo avalia ser impossível votar a prorrogação da cobrança da CPMF até 2011.